10-01 Dez Chaves para Recordar

Aqui estão dez coisas importantes a recordar à medida que dá o próximo passo na sua jornada de investimento. Estes são elementos práticos do mundo real que deve integrar na sua consciência para o ajudar a tornar-se um investidor consistentemente inteligente ou lucrativo.

  1. Compreenda e controle as taxas e os custos das suas atividades de investimento. Pergunte ao seu corretor quanto cobram pelas operações com ações e opções. Pesquise e experimente outras corretoras. Não tenha vergonha. Tem de encontrar uma corretora e uma plataforma com as quais se sinta confortável. Para além das comissões de corretagem, esteja atento e minimize os encargos de aconselhamento (se optar por utilizar um consultor de investimentos), os carregamentos dos fundos de investimento (na compra e na venda), as comissões de despesas dos ETF, as consequências fiscais (mantenha sempre o seu consultor fiscal informado) dos seus investimentos e acompanhe de perto a taxa global de inflação, que pode reduzir ou destruir os seus lucros aparentes.
  2. Diversifique, diversifique e depois diversifique. Já ouviu isso antes? Normalmente, a melhor forma de atingir este objetivo é criar uma boa mistura de ativos. Algumas pessoas pensam que estão diversificadas se tiverem muitas ações diferentes na sua carteira, mas mais nada. Isto é não a verdadeira diversificação. Os ativos são todos os mesmo. Certifique-se de que, na sua carteira real, tem uma mistura de obrigações (empresariais e do Tesouro dos EUA), matérias-primas como ouro e prata em barra, e também ações/obrigações internacionais. Além disso, considere o importante componente temporal. Para além do óbvio (calcular corretamente a data de vencimento de uma obrigação), deve considerar ativos que se prevê valorizarem-se em momentos diferentes e planear em conformidade.
  3. Compreenda o seu risco. Não, mesmo compreenda o seu risco total. Pode ter uma imagem clara do risco relativo associado a cada investimento que compra. No entanto, já considerou os riscos relacionados entre investimentos? Por exemplo, qual é a fonte do rendimento com que vive? É empregado ou trabalhador independente? Já considerou o que pode acontecer se o seu fluxo de caixa parar? Seria forçado a vender os seus investimentos antes de querer? Este risco para a sua carteira acabou de aumentar muito se nunca o tiver considerado antes. Um dia, este risco pode obrigá-lo a perder dinheiro por vender no momento errado. Muitos investidores foram forçados a vender os seus investimentos em mínimos de mercado porque não tinham outra opção — precisavam do dinheiro! Também poderá não conseguir fazer outras compras atempadas durante uma baixa de mercado devido à sua falta de liquidez. Este é apenas um exemplo dos riscos adicionais que pode facilmente ignorar ao criar a sua estratégia de investimento.
  4. Compreender percentagens. Não olhe para quanto o preço de um investimento subiu ou desceu em euros e cêntimos ou em “pontos” — olhe para a percentagem que ganhou ou perdeu. Tal como os casinos que emitem fichas de plástico sem valor para o separar mais facilmente do seu dinheiro, tem de compreender o valor de cada ativo que possui e perceber quanto cada alteração de preço afeta o valor global da sua carteira. A forma mais simples de compreender como os investimentos estão a mudar de valor diariamente, semanalmente, mensalmente ou anualmente é através de percentagens. Google (GOOG) subiu 5 dólares hoje e a tua General Electric (GE) ação subiu 50 cêntimos – qual teve melhor desempenho para ti? Isso é um retorno de 1% para a GOOG, mas um retorno de 3% para a GE! Além disso, se o Dow Jones Industrial Average subiu 500 pontos hoje, para um ganho de 5%, porque é que a tua GOOG e a GE emsuperaram o mercado? Presta atenção às variações percentuais em todos os teus ativos e compara-as com referências de mercado comuns!
  5. Evita comprar ações “quentes”; em vez disso, deves investir no que conheces. Surpreendido? Quando uma ação passa a ser considerada “quente”, provavelmente vais pagar demasiado por ela. A atenção da imprensa e o tempo de antena que recebem atraem muitas pessoas para a compra, o que faz subir o preço até níveis potencialmente perigosos de “bolha”. Se gostas de uma ação ou investimento em alta, espera algumas semanas ou um mês para voltar a analisar esse ativo. Nessa altura, é provável que tenha sido substituído por uma nova ação “quente” e que agora esteja com um preço mais atrativo. Um método de investimento melhor é comprar o que conheces. Abre os olhos e vê onde tu e os teus amigos estão a gastar o vosso dinheiro — e onde NÃO estão! O teu conhecimento pessoal e profissional sobre empresas e os seus produtos é, normalmente, mais do que suficiente para começares a fazer alguma análise fundamental sobre as suas ações. Os investidores que se mantêm fiéis ao que conhecem e ignoram o que não conhecem já fizeram muitas fortunas.
  6. Usa a Análise Fundamental para identificar o que comprar. A análise fundamental é o primeiro passo na pesquisa de possíveis investimentos: no caso das ações, qual é o rácio P/L da empresa, a sua linha de produtos e a gestão? No caso de certificados de depósito e obrigações, em que fase do ciclo económico se encontra a economia em geral; quanto estão a render os CDs e as obrigações bancárias? No caso das matérias-primas, o que está agora em procura e o que estará em grande procura no futuro para ativos como petróleo, ouro e trigo? Isto dir-te-á o que está atualmente subavaliado, o que está sobreavaliado e o que é provável que o futuro traga para estes investimentos.
  7. Usa a Análise Técnica para te ajudar a decidir quando comprar. Embora a análise fundamental possa dizer-te o que comprar, a análise técnica diz-te quando comprar. Afinal, que sentido faz fazer um investimento e ter de esperar 20 anos até ganhares dinheiro e a tua análise fundamental se provar correta? É por isso que indicadores de análise técnica, como a ação do preço e o volume, desempenham papéis essenciais na tua vida como investidor. Padrões gráficos comuns e linhas de tendência irão orientar-te facilmente para saber quando comprar e quando vender investimentos que a tua pesquisa fundamental indicou serem boas opções para aplicares o teu dinheiro. A análise técnica funciona não porque seja um segredo, mas porque todos os bons investidores a conhecem, a utilizam e a seguem.
  8. Define objetivos razoáveis e sabe que, se superares o mercado em 5%, então estás a fazer um excelente trabalho! Compreende que é realmente difícil superar o mercado, tal como medido por uma referência como o S&P 500. Tal como uma tentativa infrutífera de atingir a perfeição, o esforço constante para “duplicar o teu dinheiro num ano” vai trazer-te desilusão. Em vez disso, cria uma estratégia e uma carteira que se ajustem ao montante que tens para investir, te protejam de surpresas negativas, apontem retornos superiores à inflação e te “deem tranquilidade”. Cria um objetivo de investimento realista e alcançável. Lembra-te de que mais de 90% dos gestores profissionais de fundos mútuos não conseguem superar o índice bolsista S&P 500. Também não deves esperar superá-lo, pelo menos não logo à partida.
  9. Seja objetivo, não emocional. O MEDO e a GANÂNCIA são os seus inimigos. Estas duas emoções podem ser vistas em todos os mercados, todos os dias. Fazem os mercados subir e descer e oscilarem sem que isso pareça fazer sentido. É o medo e a ganância em ação. Quando começa a deixar-se levar pelas emoções em relação aos seus investimentos, a sua carteira, que até então era bem-sucedida, pode transformar-se num desastre completo. Compreenda que o investimento objetivo é sempre o componente mais inteligente de qualquer estratégia. Tenha razões sólidas e objetivos claros para cada decisão de investimento e pergunte a si mesmo: será que a ganância ou o medo estão a influenciar a decisão? E mantenha-se fiel ao seu plano!
  10. Seja um pensador independente. Isto é mais fácil dizer do que fazer e, por vezes, pode exigir uma vida inteira de experiência até o conseguir. No entanto, se entrevistasse os dez melhores investidores do planeta, todos salientariam que deve investir de forma independente. Isto não significa que deva ignorar totalmente todas as sugestões do seu corretor, de outros especialistas, amigos ou familiares. Significa, isso sim, que deve encarar todas essas recomendações com um olhar atento e crítico. Faça a sua própria pesquisa, investigação e avaliação — lembre-se de que o dinheiro é seu. Trate as recomendações, por mais fortes que pareçam, como apenas mais uma fonte de informação — e não como um forte apelo à ação. Uma forma de se tornar um pensador independente é ler muitas opiniões diferentes e depois formar a sua própria opinião com base nos factos que consegue ver.